Canção de ninar
Especialidade antiga, tinha que deixar registrada. Ninei muito, desde crianças da roça, filhos de empregados de nossa propriedade, filhas de vizinha, sobrinhos, filha (essa foi menos, tinha muitas coisas para fazer) e filhos de amigos.
Ninar tem técnica, não é de qualquer jeito. Tem que começar com o ritmo que a criança está. Se está animada, musica animada até rodopiando no meio da sala. Como Segura o Tchan. Depois passa para uma bossa nova, ou direto para um samba canção, depois vão entrando as canções de ninar tradicionais, ou alguma emprestada, como Hi Lili, hi lo, que é imbatível, não há criança que não durma com ela.
Há porém um segredo: depois que o bebê começa a piscar o olhinho, não se pode trocar a música, tem que alongar quantas vezes necessário. Uso o Hi Lili, hi lo até enquanto nebulizo a gata, dando tapinhas leves e ritmados. A mesma coisa, não posso mudar.
O mesmo se aplica a criança grande, quando em vez de música é contar história. Se a criança está bem acelerada a história tem que ser empolgante.
“O lobo chegou com seu vozeirão, bem alto: Bom dia, porquinhos gordinhos! Prontos para eu preparar meu almoço? Mais que depressa cada porquinho correu bem rápido para sua própria casa.”
Depois que piscar também não pode mudar a história, tem que esticar até o sono confirmar. ...ai o lobo começou a soprar. Primeiro foi enchendo o pulmão de ar, enchendo devagar e começando a soprar, soprando bem e as telhas começando a cair…. Primeiro uma telha caiu, depois outra e foram caindo: duas telhas, três telhas, quatro telhas, e os tijolos também. Caiu um tijolo, depois outro, depois outro, e o lobo já cansado, tentando dar mais um sopro e derrubando mais telhas e tijolos. Cada vez mais cansado, já quase sem forças e as telhas caindo devagarzinho, bem devagar, quase voando, parando no ar…
Ninar tem técnica, não é de qualquer jeito. Tem que começar com o ritmo que a criança está. Se está animada, musica animada até rodopiando no meio da sala. Como Segura o Tchan. Depois passa para uma bossa nova, ou direto para um samba canção, depois vão entrando as canções de ninar tradicionais, ou alguma emprestada, como Hi Lili, hi lo, que é imbatível, não há criança que não durma com ela.
Há porém um segredo: depois que o bebê começa a piscar o olhinho, não se pode trocar a música, tem que alongar quantas vezes necessário. Uso o Hi Lili, hi lo até enquanto nebulizo a gata, dando tapinhas leves e ritmados. A mesma coisa, não posso mudar.
O mesmo se aplica a criança grande, quando em vez de música é contar história. Se a criança está bem acelerada a história tem que ser empolgante.
“O lobo chegou com seu vozeirão, bem alto: Bom dia, porquinhos gordinhos! Prontos para eu preparar meu almoço? Mais que depressa cada porquinho correu bem rápido para sua própria casa.”
Depois que piscar também não pode mudar a história, tem que esticar até o sono confirmar. ...ai o lobo começou a soprar. Primeiro foi enchendo o pulmão de ar, enchendo devagar e começando a soprar, soprando bem e as telhas começando a cair…. Primeiro uma telha caiu, depois outra e foram caindo: duas telhas, três telhas, quatro telhas, e os tijolos também. Caiu um tijolo, depois outro, depois outro, e o lobo já cansado, tentando dar mais um sopro e derrubando mais telhas e tijolos. Cada vez mais cansado, já quase sem forças e as telhas caindo devagarzinho, bem devagar, quase voando, parando no ar…
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